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Mostrando postagens de Maio, 2020

O bom menino

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N os primeiros anos da década de 1970 imperava a alegria em nossa casa quando meus irmãos, em férias escolares, retornavam a Araguatins. Eles sempre voltavam diferentes, mais velhos, barbudos, cabeludos, cheios de novidades e vestidos na última moda. Recordo minha irmã em uma minissaia curtíssima e pesados tamancos com solados de madeira e tiras de couro com fivelas. Um brotinho. Meus irmãos usavam calças jeans boca de sino e camisetas tão curtas que deixavam as barrigas à mostra; nos pés, sapatos plataforma brilhosos, sandálias de couro cru ou tamancos. Dois "pão". Naquelas férias, eles trouxeram uma bela coleção de discos internacionais de rock, uma novidade à época. Lembro que eram discos de David Bowie, King Crimsom, Barrabás, Led Zeppelin e Jimi Hendrix. Mas, a princípio, em nossa casa, onde reinava Roberto Carlos e a Jovem Guarda, a música estrangeira não agradou muito. - Uma barulheira infernal dessa aí, eu também faço; e faço muito melhor. Garantia noss

O mosquitinho

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B elém, início dos anos 80. O Santa Maria de Belém é um conjunto residencial localizado no centro da capital paraense, no bairro de Nazaré; é vizinho da Basílica e do Museu Emílio Goeldi. Quando inaugurado foi muito disputado por conta de sua localização; todos queriam morar por ali. Era com orgulho que se bradava nas rodas de conversa quando alguém perguntava: Onde você mora? - No Santa Maria de Belém. Respondia-se de peito cheio. Porém, a era do glamour havia passado. O conjunto de kitnets ainda mantinha a coloração verde oliva, mas, as fachadas já estavam envelhecidas e manchadas pela água da chuva; que nunca deixa de cair em Belém, sempre às cinco horas da tarde. Mudamos para lá, por volta de 1980; quando eu tinha 15 anos. Eu, tia Sandra e minha prima Martha. O pequeno kitnet comportava apenas o básico e, claro, a nossa vitrola portátil; um pequeno aparelho de tocar discos de vinil, que a tampa após ser retirada se transformava em duas caixas de som. Seus alto-falantes

Trajando jalecos como armaduras de luz

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D ias atrás eu tive um sonho. Nele, eu via na televisão que anjos existem.   A imagem mostrava seres em vestes brancas, iluminados por uma armadura de luz, que socorriam a população em um momento de grande aflição. Eram pessoas de todas as idades sofrendo os impactos de uma pandemia. Havia muito medo por conta da facilidade do contágio, e os anjos foram chamados para a linha de frente. Eles cuidavam dos doentes e pediam àqueles que não estavam infectados que protegessem uns aos outros mantendo distanciamento; porém, as pessoas não os atendiam. E muitos se infectavam. Com o tempo, não havia anjos suficientes para atender a todos. Eu vi um anjo a chorar e, entristecido, o anjo adoeceu. Ao despertar, sentei-me à cama e orei a meu protetor. Para os católicos, anjos são criaturas espirituais, não-corporais e imortais; assim criados por Deus. Os espíritas os vêem como espíritos puros que tiveram que passar por todos os graus da escala evolutiva espiritual até chegarem à perf