Opinião

Cláudio Duarte - 12/04/2020

Opinião: O coronavírus, o instinto e a razão

A Organização Mundial de Saúde (OMS) tem indicado o distanciamento social como a estratégia mais eficaz para reduzir o contágio do novo coronavírus, a Covid-19.

A medida, embora alicerçada no entendimento dos especialistas da área, sofre resistência e muita gente insiste em não ficar em casa.

Para os que não concordam com o distanciamento os argumentos são consistentes. Emprego, desemprego, alimentação, fome, dinheiro e a falta dele.

Quem quer ficar em casa entende que a questão é humanitária e é preciso se solidarizar com os grupos com maior risco de morrer.

A ciência carece de mais tempo para entender o que de fato acontecerá à população que ainda não se infectou. Pede prudência e ressalta que, com um inimigo invisível e ainda desconhecido, é insensato arriscar.

Os médicos insistem para que a população fique em casa.

Muitos governantes estão com a atenção voltada para a ciência e têm decidido de forma técnica pelo isolamento seletivo, ampliado ou bloqueio total.

Outros optam por equalizar a própria voz e priorizam o pensamento ideológico da defesa do capital.

A população, nesse banzeiro, também se divide.

Fatos recentes deixam claro que alguns políticos mais atrapalham do que ajudam ao se pronunciarem sobre a questão; demonstrando falta de equilíbrio entre instinto e razão.

O instinto está presente nos homens e nos animais, nos últimos com mais preponderância. É o instinto que age quando o animal toma a decisão de encarar o perigo ou fugir do inimigo.

A razão distingue os humanos das demais criaturas vivas e dá ao homem o discernimento para julgar e agir conforme cada situação.

Nessa pandemia, aparentemente, uma parcela da população opera mais com o instinto, seja para fugir ou encarar o perigo; e tem a outra parcela que se acha usuária da razão. Desta segunda, obviamente, todos querem fazer parte.

No entanto, as condições ideais para uma boa reflexão, ao contrário do que muitos pensam, não deve levar em conta somente a racionalidade. Uma tomada de decisão equilibrada precisa de consenso entre instinto e razão.

É preciso ponderação; uma vez que a razão não é totalmente segura e, pode se deixar influenciar por ideias preconcebidas. Ela permite a escolha, o livre-arbítrio; e por servir apenas para a consideração de coisas materiais não tolera nenhum obstáculo à sua satisfação.

Já o instinto não deve ser menosprezado. Por ser intuitivo e espiritual, ele quase sempre nos guia de modo automático e algumas vezes com mais segurança do que a razão.

Perguntados sobre porque a razão nem sempre é um guia infalível, aqueles que habitam o mundo espiritual, responderam no Livro dos Espíritos (75-a), que esta “seria infalível se não fosse falseada pela má-educação, pelo orgulho e pelo egoísmo” (KARDEC, 1995).

E caso você não queira ser o próximo a se posicionar do além-túmulo é sensato promover internamente um diálogo entre seu instinto e sua razão.

Analise sua situação particular, forme sua opinião e tome suas decisões com base em seu próprio juízo.

Se o pensamento racional coloca sua vida em risco, siga o exemplo da leoa que luta para conseguir comida, porém, pela manutenção da vida, abandona a carniça para as hienas.

Aja com prudência. Temos a tendência de nos acostumar com um ambiente adverso e achar que ele não oferece mais riscos.

Tenha sempre à mente o fato de que todos nós, atletas ou não, somos mortais.

O ciclo da vida para ser completo demanda um tempo de nascer, viver e morrer; não antecipe o seu.

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